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Morte do capitão Orlando Mazo en Las Delicias, ato de supremo heroísmo

Por coronel Luis Alberto Villamarin Pulido el 3 de Febrero 2010 4:08 PM

Tradução: Graça Salgueiro

        Estes são alguns apartes do livro "Drama, Pesadelo e Espetáculo" de minha autoria, que descreve o assalto à base militar de Las Delicias, ocorrido em 30 de agosto de 1996, quando 415 terroristas do Bloco Sul das FARC atacaram de surpresa e depois de 17 horas de violentos combates seqüestraram 60 militares, 28 perderam a vida, outros ficaram gravemente feridos. O improvisado quartel era um simples conjunto de quiosques, construídos no estilo de maloca indígena, e habitado sem critérios táticos e técnicos inerentes a uma fortificação militar.
         Sua precária proteção era uma linha perimétrica de trincheiras rudimentares de madeira e terra. Isto reflete o esquecimento de sucessivos governos colombianos pelo bem-estar e dotação bélica dos heróis inéditos, que defendem até com suas vidas a soberania, a integridade e a institucionalidade do país. E que, além disso, são a única representação estatal onde os demais ministérios brilham por sua ausência.
          O único oficial disponível em La Tagua para ir a Las Delicias era o capitão Orlando Mazo, que não se encontrava em condições anímicas, pois ia ser afastado da instituição; além disso, estava apaixonado por uma jovem com quem planejava contrair matrimônio e seu pensamento se concentrava mais na futura esposa do que no serviço.
          O capitão Mazo já havia sido comandante da base militar de Las Delicias, lugar que, por inadequada concepção da autoridade e hierarquia castrenses, desde a época em que o tenente-coronel Álvaro Plata Pinilla foi comandante dessa unidade tática, amiúde eram enviados para trabalhar todos os oficiais, sub-oficiais e soldados que cometeram atos de indisciplina em La Tagua.
         A saudação dos capitães Mazo e Zambrano foi efusiva. Falaram de assuntos pessoais:
        - Resolveu o problema da sanção que meu coronel Luis Acosta Oyuela lhe impôs? - indagou Zambrano.
        - Não, isso ficou assim. Tenho certeza que, como ele contou todo o histórico a meu coronel Bastidas, é que o homem me tem "pintado" (tem ojeriza) - contestou Mazo.
          Em 28 de agosto pela manhã, o capitão Mazo comentou com toda a companhia:
         - Não observo nenhuma mudança substancial nesta base. Até o croquis com a localização dos sentinelas e o plano de contra-ataque é "made in Mazo" -. Depois explicou em termos gerais a manobra da reação e ordenou:
         - Antes de qualquer outra atividade, de maneira descentralizada cada pelotão ensaia um esquema tentativo do Plano de Reação e contra-ataque na área de sua responsabilidade, para que cada esquadra localize seu setor e cada soldado seus ângulos de tiro. Deve ficar uma esquadra de reserva sob o comando do sargento Pérez perto do quiosque de comunicações.
         - Depois do ensaio do plano de reação, o tenente Rodríguez verifica quais postos de sentinela devem ser reforçados em horários noturnos, dispõe o pertinente para que se cumpra a partir desta noite e atualiza essa informação no gráfico.
           Os dias 29 e 30 de agosto transcorreram em atividades administrativas, como lavagem de roupa, asseio geral das instalações, arrumação das áreas de dormitórios, conhecimento da base e a necessária adequação ao terreno, condição que demanda tempo e paciência.
            30 de agosto de 1996, 07:00 PM. Não havia lua, a noite estava escura e o ambiente era ameaçado pela iminente chuva. A 200 metros das trincheiras perimétricas, centenas de terroristas das FARC esperavam para lançar o demolidor ataque às 10:30 PM, quando os soldados já estivessem dormindo, porém uma situação inesperada abortou os planos dos assaltantes.
           O reforço noturno do posto nº 6 não esperou, senão que sem se proteger atrás da paliçada disparou seu fuzil para o lugar de onde provinham os ruídos, com o qual deixou a descoberto o plano de ataque inimigo.
           - Com exceção de meu capitão e meu sargento, os demais integrantes da base não tínhamos experiência em combate. Os únicos disparos que havíamos escutado eram os dos exercícios de tiro nos polígonos. Desconhecíamos a ansiedade e a pressão psicológica do combate. Os granadeiros não sabiam utilizar as granadas de mão, e inclusive um deles lançou uma sem tirar o selo. Melhor dizendo, a lançou aos bandidos para que nos atacassem com a mesma -, lembra o cabo Bernal Toloza.
           Com outras palavras, o tenente Torres descreve a dramática situação:
          - Jamais poderei esquecer a desesperada gesticulação desse soldado moribundo, com meio quadril destruído. Ele repetia suplicante:
          - Meu tenente, não me deixe morrer. Não quero deixar minha mãe sozinha.
          - Contive as lágrimas porque não podia fazer nada. Apertei sua mão direita, aparentei mais fortaleza do que pode simular qualquer mortal e lhe disse:
          - Tranqüilize-se soldado. Vamos lhe ajudar. Não demora a chegar o apoio aéreo.
          Continuei combatendo. De vez em quando olhava para onde estava o soldado. Seus sinais vitais se apagaram de forma paulatina. Morreu na esperança de que alguém fizesse algo para salvar sua vida.
Às cinco e meia da manhã, quando a penumbra ainda cobria o sol e a chuva não parava, quase metade da base estava em poder dos atacantes. Como o cabo Sandoval não tinha rádio, correu de uma trincheira à outra para pedir instruções ao capitão Mazo, porque sua posição estava a ponto de ser expugnada. Porém, caiu abatido durante o percurso.
          O dragoniante Ulises Ospina correu como uma gazela até o improvisado posto de comando do capitão Mazo e lhe deu a notícia da morte de Sandoval. O oficial golpeou com raiva a palma de sua mão direita contra a trincheira e exclamou uma maldição.
           Em um ato de suprema valentia subiu sobre o refúgio e com desprezo total por sua integridade disparou contra cinco terroristas que se aproximavam sigilosos para a posição. Os soldados que observaram a heróica ação se sentiram estimulados para continuar o combate. Estavam comandados por um líder sem par.
            - Ao amanhecer do 31 de agosto - complementa Ángulo - não tínhamos idéia de quantos mortos e feridos haviam, porém víamos em meio das últimas sombras da noite que eram vários. Dois soldados que encheram duas panelas com água da chuva e as esconderam debaixo de uma trincheira saliente onde ficaram protegidas até das explosões, se arrastavam como serpentes e regressavam com várias canecas que bebíamos avidamente.
           - Depois levavam os fuzis sujos de barro, os lavavam e os traziam prontos para disparar. Que machos! Foram dois heróis sem par. E a eles soma-se a bravura do soldado Roosevelt Sapui Romero. Em que pese a estar ferido, não parava de combater. Não se rendia!
           Em razão de que jorrava abundante sangue de sua cabeça, lhe coloquei um pedaço de plástico fazendo as vezes de um tosco torniquete. Não obstante, Sapui insistia:
           - Combatamos, garotos, que estas almas penadas não podem conosco!
          - O vi combater até o último minuto - complementa o sargento Pérez -; Sapui era totalmente um cavalheiro. Um herói que daria inveja aos heróis de outras guerras. Digno de fazer-lhe um filme. Em que pese a que várias feridas o fizeram sangrar pouco a pouco, não se dava por vencido. Amolecido pela febre, disse:
          - Meu sargento, vou me recostar para ver se durmo um pouco, pois me debilitam os estilhaços que tenho na cabeça.
            - Porém, não se deitou. Seu heroísmo marcava a linha entre a vida e a morte. Combateu até o final. Quando o vi pela última vez estava pálido, rastejava com debilidade física porém com muita fortaleza espiritual. Depois de nos dar uma lição de coragem, valentia e humildade, levava um sorriso nos lábios. O Deus da guerra o deve ter na eternidade entre as hostes de seus guerreiros seletos!
          Atrás das trincheiras o capitão Mazo continuou empenhado no trabalho de motivar seus soldados.
         - Combatamos até o final. Não nos rendamos. Apontem para as posições perdidas e disparem. Tudo o que esteja ali é guerrilheiro.
          Mazo estava esperançoso de que chegaria o avião para metralhar e os helicópteros com tropas para reforçá-lo. De um momento para o outro se desencadeou outro tiroteio fenomenal. Choviam bombas, granadas e disparos de fuzil e metralhadora.
         - Era tal a macheza de meu capitão - rememora o cabo Bueno - que estou certo de que foi ele quem deu baixa em Ricardo e outro dos cabeças das FARC. Graças a seu exemplo, lhes causamos a maior quantidade de baixas somados os mortos e feridos, entre as seis da manhã e as doze da tarde, hora em que acabou-se nossa munição.
          Meu capitão estava em toda a parte. Revisava os fuzis, dava uma palmadinha de ânimo nas costas, nos motivava, irradiava alegria e desejo de combater. Parecia um leão ferido.
         Vi quando tomou o fuzil do soldado José Hernán Pérez Hortúa e lhe entregou a pistola calibre 9 mm. Meu capitão não baixou a guarda um só minuto. Incansável, deu o melhor exemplo o tempo todo que durou o combate.
         Em uma dessas manobras, localizei três terroristas e eles a mim. Entre eles estava "El Paisa", a quem por uns instantes perdi de vista porque se entrincheirou atrás de uma árvore e eu fiquei colocado como alvo dele. Embora meu capitão estivesse empenhado em responder o fogo de outro grupo, viu o terrorista e gritou:
        - Cuidado Bueno! Vão matá-lo!
        - Dei duas cambalhotas defensivas no chão. Uma rajada de fuzil levantou terra e estilhaços. Meu capitão suspendeu por um momento o fogo contra os que o assediavam, apontou seu fuzil e tirou El Paisa dessa posição desvantajosa para todos nós. Salvou-me a vida. Reconheço e lhe agradecerei eternamente.
         - Sigiloso, esquadrinhei o horizonte por cima da trincheira - rememora Nausil. Vi sete terroristas em silenciosa aproximação tática. Coordenei com o soldado apelidado de "vaca marinha" para que me dissesse quando já estivessem a cinco ou dez metros.
         Agarrei as duas últimas granadas de mão que nos restavam. Lancei a primeira granada. O estrondoso estalido foi seguido por um lamento que incrementou o drama do angustioso momento.
        - Nos pegaram, estes f.d.p vagabundos. Retrocedamos.
        - Depois se escutou um queixume aterrador. Levantei a cabeça e vi dois cadáveres no chão, enquanto outros dois terroristas arrastavam um ferido. Um dos mortos foi Roberto, enviado por Isaías Perdomo para trabalhar na fazenda do miliciano Esteban. Não sei para onde correu o outro.
        Em retaliação, os assaltantes nos localizaram e desencadearam duas furiosas arremetidas com granadas artesanais denominadas "che 60", granadas de fuzil, morteiro, bombas de fabricação caseira e farto fogo de fuzil. Primeiro caiu uma granada que não explodiu e nós a devolvemos mas também não detonou; porém, em seguida estourou outra que foi a que nos causou mais dano. Morreram três soldados.
         Ante a impossibilidade de ir até a caneca de água para limpar o fuzil, me lancei ao tudo ou nada. Entrei de carreira no único quiosque que ainda estava bom. Rasguei um cobertor térmico em vários pedaços e com eles limpei o fuzil. Segui para o refúgio de meu tenente Rodríguez e lhe propus que fôssemos combater ao lado de meu capitão porque essa trincheira estava em perigo de colapsar. Numa carreira veloz passamos para o outro lado por cima da cancha de futebol e tomamos novas posições para o combate.
        - Superado o susto - anota Bueno - me ocupei de uma das poucas trincheiras que tinha janelinha. Do lado de fora os bandidos me olhavam, levantavam a mão por cima da paliçada e sem apontar o fuzil disparavam contra mim. Eu via seus olhos que brilhavam do outro lado da trincheira.
         - Em um desses movimentos - relata o cabo Bernal Toloza - quase me ferem. Rastejei baixo por entre os charcos, avançava com vários soldados, entre eles Arbey Torres. Um disparo feriu Torres, roçou minha cabeça e impactou outro soldado. Um segundo disparo impactou o abdômen de Torres que gritou desconsolado:
        - Ai, mamãe, ai mamãe! Meu cabo me ajude!
        - Levantei a camisa do ferido e vi que tinha um pequeno orifício de entrada e que a parte traseira da ogiva estava quase tocando a pele do abdômen. Assim, mesmo com as mãos sujas de barro e pólvora, extraí o projétil e por sorte o soldado permaneceu estável.
         - Um soldado grandalhão, que sofreu uma ferida leve em um braço como conseqüência da explosão de uma granada, repetia insistentemente:
       - Deveríamos nos render, capitão.
        - Não seja covarde! Se quer, entregue-se você. Vá só, porém não desmotive os demais. Soldados: disparem contra quem tente nos trair! A única coisa que um traidor merece é a morte!
       - Em um dos ajustes do dispositivo o grandalhão se entregou aos bandidos. Para completar, outro soldado informou que acabava de tirar do fosso num puxão, um soldado gravemente ferido. Tantas perdas humanas nos punham à beira do fracasso total, porém o exemplo do meu capitão induzia a combater sem rendição.
Continuou a inclemente tormenta de fogo, explosões, fumaça, chamas, ambiente de tragédia e cheiro de morte. Uma hora e 15 minutos mais tarde, o capitão Mazo agrupou os sobrevivente que o rodeavam. Com voz entrecortada, a serenidade perturbada e nervoso, disse:
       - Senhores, isto se perdeu. Destruamos os rádios. Não deixemos nada bom para os bandidos. Nenhum de nós é covarde. Não podemos permitir que estes miseráveis nos agarrem vivos, nem que fiquem com os rádios. Vamos nos arrastar até o posto 1 e dali nos atiramos ao rio. É uma decisão suicida, porém alguém ficará vivo para contar o que sucedeu.
       - Quando meu capitão ordenou que lutássemos para sair pelo rio - relata o cabo Bueno -, víamos, pelo fogo e movimento, que nuvens de bandidos avançavam. Estávamos envolvidos em um marulho infernal de disparos, explosões, gritos de júbilo dos assaltantes, lamentos dos feridos e o cheiro dos cadáveres em franco estado de decomposição.
     - Que faremos, meu capitão? - perguntavam os soldados.
      - Saiam! Saiam! Entreguem seus comandantes! - respondiam os guerrilheiros que conseguiam escutar as preocupações dos militares.
      - Não saiam porque os matam! - gritava o sargento Pérez, em cuja mente fervilhava com lacerante incerteza a preocupação óbvia: - oxalá que entre os assaltantes não haja nenhum habitante do vilarejo, porque se descobrem que sou sub-oficial, serei um homem morto.
        Ato contínuo, o capitão destruiu um rádio, o cabo Bueno outro e o cabo Suarez o último. O sargento Pérez e um  soldado desarmaram vários fuzis e enterraram as peças entre o lodo.
      - Estava ocupado nessa tarefa - comenta o sargento - quando vi que o fuzil de um soldado travou. O atacante desembainhou o facão, que para eles é a arma de reserva, e agrediu o soldado. Depois o rematou a tiros. É inexplicável que enquanto todos os integrantes das FARC carregam um facão e o utilizam amiúde no patrulhamento, as contra-guerrilhas só tenham dois ou três facões por pelotão.
        Ante a incerteza dos subalternos que estavam perto de sua posição, o capitão Mazo exclamou:
      - Sigam-me os que estiverem resolvidos a morrer ou viver sem se entregar. A meta é nos atirarmos no rio e sair deste inferno para ir buscar reforços e voltar a combater. Não podemos morrer aqui como ovelhinhas.
De imediato se lançou no fosso e iniciou o apressado percorrido. Grossas partículas do hediondo amálgama de argila e dejetos humanos salpicavam seu rosto.
       - Deduzo - conclui o cabo Bueno - que os terroristas se deram conta da escapada pelo rio e designaram uma metralhadora M-60 que concentrou o fogo sobre a única rota que tínhamos para escapar.
      O capitão avançou 15 metros, porém foi detido pelo incessante fogo da metralhadora. Com total arrojo saltou e apontou contra a posição inimiga, porém José, um franco-atirador que havia se posicionado na retaguarda do grupo de soldados que tentava escapar, lhe propinou um disparo certeiro pelas costas. O disparo lhe perfurou o pulmão direito. Embora sua alma se negasse a aceitar a rendição, Mazo inclinou seu corpo, sentou-se sobre uma saliência da trincheira, colocou o fuzil sobre os joelhos e balbuciante exclamou:
       - Adiante, Rodríguez, siga você com o comando. Me feriram gravemente.
       Em seguida o capitão Mazo caiu de joelhos, levantou os dois braços, exalou um grito de dor e caiu no chão.
     - Mataram meu capitão! - gritou um soldado.
      Presa do desconcerto, o tenente José Gonzalo Rodríguez atuou como um autômato, se pôs de pé e em vez de se mover para algum lado, ficou estático. A escassos três metros de distância um terrorista disparou uma rajada de sub-metralhadora contra as costas do oficial. Um dos disparos atingiu a occipital de Rodríguez que caiu sem vida entre o charco de imundície.
        Por reflexo instintivo o tenente Torres olhou para a esquerda. Viu que por cima da trincheira o braço direito do mesmo terrorista disparava uma sub-metralhadora contra os soldados que tentavam escapar. Apontou e disparou seu fuzil, ferindo o assaltante.
        Desconcertados, em absoluta desordem os soldados bateram em retirada para a trincheira. Já não estavam com eles os dois leões que os guiaram durante 17 horas. Enlameado dos pés à cabeça, ferido e recostado meio de lado, o capitão Mazo ordenava com voz cada vez mais débil e incompreensível:
       - Escapem, garotos! Escapem!!! Alguém ficará vivo para contar.
Ele havia perdido muito sangue. Ninguém pôde lhe prestar ajuda devido ao incessante fogo inimigo, em especial da metralhadora M-60 de Leidy. O que acontecesse dali em diante, dependeria da coragem do tenente Torres.
        - Entreguem-se! Não sejam bobos, entreguem-se que não queremos matá-los!... Saiam daí! - gritava triunfante Oscar, o calenho [1].
        - Entretanto - narra Yúlder González - demos uma revisão geral na base e recolhemos todo o armamento. Cada guerrilheiro recolheu até três fuzis, depois distribuímos essas armas com os demais. Ante os insistentes rogos dos militares, lhes permitimos transferir os feridos à sala de televisão. Em seguida, recebemos a ordem de nos retirarmos.
          Amarramos os soldados retidos com o nó guerrilheiro na garganta, formamos uma longa fila integrada por 120 guerrilheiros e 60 soldados e se iniciou a marcha para o rio Sencella. Na base ficou o "mocho César" acompanhado pelo grupo de retoque entre os quais estávamos Euclides Bermúdez, da Frente 49, Alexander, Marlon e eu.
        O capitão Maza estava ferido muito gravemente, porém ainda balbuciava:
       - Um cobertor, um cobertor, tenho muito frio...
       - O mocho Cesar ordenou a Marlon:
       - Consiga-lhe um que lhe passe rápido o frio - e piscou o olho para que o matasse. Marlon se aproximou do capitão e disse:
       - Tem frio?
       - Sim, muito... Sim, muito... muito...
       - Quer um cobertor?
       - Sim obrigado.
        - Mas não lhe deu frio, nem precisou de um cobertor quando nos matou nove comandantes e esteve a ponto de evitar que os fizéssemos prisioneiros? Sabe que chavinha? De malas! Lhe figurou caveira...
       - Na guerra, os erros se pagam com o sangue ou com a vida - sussurrou o moribundo capitão. Sem nenhuma consideração, Marlon disparou um rajada que acabou com a vida do valoroso oficial, cujo corpo se estremeceu com força depois de cada disparo recebido. Igual sorte teve o cabo Libardo Rodríguez Charry, nas mãos de Euclides, que o localizou entre os feridos.

 

 Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido
Analista de assuntos estratégicos -
www.luisvillamarin.com

Nota da Tradutora:

[1] Calenho - oriundo da cidade de Cali.

 

 

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